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Otimismo e cautela marcam tendências para 2010
20/01/2010
João Ricardo Pupo
Ano de Copa do Mundo e de Eleições, 2010 começa com o indicador mais esperado: o fim da crise mundial. Empresários e gestores dos mais variados setores da economia estão otimistas com o novo ano. O Índice de Confiança do Empresário Industrial, divulgado em outubro pela CNI – Confederação Nacional da Indústria, chegou a 65,9 pontos, numa classificação de 0 a 100 (quanto maior o índice, maior a confiança). O número é o maior desde 2005, ou seja, maior que antes da crise.
No setor de Tecnologia da Informação, as expectativas são igualmente positivas. Mas pesquisas e especialistas alertam para alguns obstáculos que as empresas deverão transpor rumo ao tão esperado sucesso.
A GrowBiz, empresa de consultoria e treinamento em gestão e marketing, realizou a pesquisa Tendências 2010, em novembro passado, e identificou sinais importantes. O setor de Tecnologia da Informação, que na pesquisa representou 25% dos entrevistados, foi o que mais cresceu em 2009, mesmo diante da crise: 19,6%, contra 14,5% da média dos entrevistados. Em 2010, a expectativa é igualmente superior: 29,5% contra 26,7% da expectativa média dos demais setores.
Mas, se por um lado as empresas esperam crescimento, o mercado deve acompanhar o ritmo. Pesquisa realizada entre os anos de 2003 e 2006 pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou que o volume de empresas de T.I. vem crescendo 4,9% ao ano. Se a média dos últimos anos se mantiver nessa taxa, a IBSS - Indústria Brasileira de Software e Serviços de T.I. chegará a 70 mil empresas, segundo os cálculos do Observatório Softex, da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro.
Se existe um lado positivo neste cenário, existe outro preocupante. As expectativas de crescimento podem ser frustradas pela escassez de mão-de-obra no setor. A pesquisa da GrowBiz sinaliza o maior medo dos executivos entrevistados: 19% deles elegeram a falta de mão-de-obra qualificada como a principal ameaça em 2010. Na pesquisa Software e Serviços de T.I. – A Indústria Brasileira em Perspectiva, do Observatório Softex, sugere que o déficit de profissionais qualificados poderá chegar a 200 mil em 2013.
Outro resultado desse crescimento acelerado atingirá os índices de rentabilidade. “Por um lado, esse é o resultado natural de um segmento de mercado que amadurece, já que a concorrência aumenta e os produtos vão ficando cada vez mais commoditizados. As margens vão naturalmente diminuindo”, explica Edson Goulart, consultor da Goulart Marketing e Comunicação. Entretanto, não é só a evolução natural do mercado que explica as dificuldades que as empresas enfrentarão em 2010, neste sentido. A crise mundial reduziu as margens da maioria das empresas de todo o planeta. E voltar aos patamares pré-crise, só em longo prazo.
O que fazer
“A grande maioria das empresas não está minimamente preparada para atender a demanda e tirar proveito desta grande, e talvez única, oportunidade”, comenta Dagoberto Hajjar, da GrowBiz, em seu artigo “2010, Você Será o seu Pior Inimigo” (leia o artigo na íntegra). O despreparo das empresas é também um comportamento esperado. A cultura de agir reativamente, ao invés de proativamente, já é uma característica das empresas brasileiras, com mais evidência nas empresas de menor porte. Some-se a isto o fato de que, até 2007, 84,3% das empresas de IBSS possuem até quatro pessoas ocupadas, segundo apuração do Observatório Softex. Os números atuais não devem ser tão diferentes, se observado o histórico do setor.
Marketing e Recursos Humanos são as áreas de maior investimento no planejamento dos executivos para 2010, segundo a pesquisa da GrowBiz. Ambos os setores representaram, cada um, 17% das expectativas dos entrevistados. Mas, se somadas, Vendas Diretas e Vendas Indiretas teriam a maior participação no bolo das atividades de maior investimento previsto: 28%, considerando 16% da primeira e 12% da segunda. “Praticamente todos os segmentos de mercado estão com a mesma estratégia de crescimento: canais. Aumentar os prontos de presença através de filiais ou intermediários como franquias, revendas, integradores ou representantes comerciais”, comenta Hajjar. Goulart confirma a tendência: “Desde novembro, aumentou consideravelmente nossa demanda por consultoria estratégica com foco nas ações comerciais”.
Na opinião dos consultores, estruturar Marketing e Recursos Humanos é condição vital para as empresas nesse ano. Hajjar deixa seus conselhos com convicção: “Faça um bom planejamento com uma boa engenharia financeira para saber o quanto poderá investir. Estude alternativas de modelos de operações e modelos de expansão. Estruture a área de marketing e vendas para dar agilidade e desempenho para a empresa. Pense em como clonar o seu conhecimento para os seus colaboradores. Padronize os processos para ganhar escala. Não desperdice esta oportunidade. Ela será única”.
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