Associação dos Profissionais e Empresas de Tecnologia da Informação
Edson Goulart
Foto: Wamberto Carneiro
Quase três anos depois que o então governador estadual, Geraldo Alckmin, assinou o decreto que instituiu o Sistema Paulista de Parques Tecnológicos, o sonho dos riopretenses em ver a cidade inserida no sistema finalmente está em vias de se tornar realidade. O secretário estadual de Desenvolvimento, Alberto Goldman, assinou, no último dia 23 de janeiro, decreto autorizando a Fazenda do Estado a ceder para utilização, por tempo indeterminado, parte da área onde hoje se encontra o IPA – Instituto Penal Agrícola para instalação do Parque Tecnológico de Rio Preto.
A área destinada ao parque é de 26,4 hectares (264 mil metros quadrados) e deverá compor, também, um novo distrito industrial, que receberá cerca de 50 empresas de tecnologia nos próximos dez anos, segundo afirmou o secretário de Planejamento do município, Orlando Bolçone, à imprensa local. Segundo projeto desenvolvido pela Comissão de Gestão dos Programas de Desenvolvimento Industrial de Tecnológico de Rio Preto, da qual a Apeti faz parte, o parque prevê ações em todo o contexto de C&T&I – Ciência e Tecnologia e Inovação, desde a promoção e aprimoramento dos recursos infraestruturais já existentes na cidade, como os serviços de geração de negócios, de informação científico-tecnológica e de formação profissional, até a formação de laboratórios especializados e de testes, normalização e certificação. O Parque Tecnológico de Rio Preto deverá fomentar o desenvolvimento de três subsetores de Tecnologia de maior vocação da cidade: empresas de equipamentos médicos, de biotecnologia e de Tecnologia da Informação.
O decreto assinado pelo secretário estadual de Desenvolvimento também prevê o destino de outra parte da área do IPA para a instalação de uma segunda unidade da Fatec – Faculdade de Tecnologia. O diretor da unidade atual, Waldir Barros Fernandes Junior, comemorou: “falamos modestamente em 12 hectares”, conta o diretor, surpreso com a definição de 98,4 hectares. “Nos dias de hoje, valem mais de R$ 1 milhão, terra nua, sem levar em conta as edificações”, afirmou. Fernandes Junior conta que ainda no primeiro semestre de 2009 entregará à superintendência do Centro Paula Souza (autarquia estadual que controla as Escolas Técnicas e Faculdades de Tecnologia do Estado). Mas adianta que a nova unidade terá ensino voltado à agricultura e tecnologia ambiental, com fazenda experimental e incubadora de empresas de agronegócios.
Outros 131,8 hectares do IPA foram transferidos para a secretaria estadual do Meio Ambiente, para implantação da Estação Experimental de São José do Rio Preto, a cargo do Instituto Florestal. “Grande parte da área do IPA será destinada à ecologia”, afirmou Bolçone ao Diário da Região. “A conservação ambiental daquela região é um projeto importante para o futuro da cidade que terá o seu desenvolvimento voltado a ciência e tecnologia”, afirmou.
Longo caminho
Poucos dias após a instituição do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos, através de decreto estadual publicado no dia 6 de fevereiro de 2006, o então coordenador do sistema, João Steiner, visitou Rio Preto a convite da prefeitura local, por ocasião do 1º Encontro de Tecnologia, Competitividade e Produtividade de Rio Preto. Na época, Steiner já sinalizava a possibilidade de incluir Rio Preto no sistema.
A Apeti, juntamente com outras lideranças locais, associou-se à secretaria de Planejamento e Gestão Estratégica da administração municipal na luta para que o governo estadual reconhecesse Rio Preto como Pólo Tecnológico, objetivando sua inclusão no sistema, ao lado de cidades como Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos, São José dos Campos e São Paulo.
No dia 20 de novembro de 2007, a comissão de representantes das entidades locais engajadas na causa, concluiu o projeto para a criação do Parque Tecnológico de Rio Preto. O documento foi entregue no dia 3 de dezembro daquele ano pelo secretário de Planejamento e Gestão Estratégica de Rio Preto, Orlando Bolçone, a Steiner e ao chefe da Casa Civil do governo do Estado, Aloysio Nunes Ferreira Filho. No dia 10, Bolçone voltou a São Paulo para participar da exposição dos trabalhos, durante o 7º Seminário Paulista de Parques Tecnológicos, realizado na sede da Fapesp – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, quando ouviu, na palestra proferida por Steiner, os nomes de São José do Rio Preto e Piracicaba na lista dos Parques Tecnológicos do sistema.
A Fatec, por sua vez, também seguia caminhos bem próximos, participando ativamente das inúmeras reuniões pautadas pelo projeto. O objetivo era dar apoio às demais entidades na conquista do Parque Tecnológico e, também, conquistar a área para instalação de sua segunda unidade local. O diretor da Fatec entusiasmou-se ao convocar as mesmas lideranças e colaboradores que auxiliaram na conquista a encarar “o enorme desafio de transformarmos nossa área num modelo de Land Grant College para o mundo”, numa referência ao modelo norte-americano pautado no ensino agrário teórico-prático.
“Foi um longo caminho para a Apeti, para a Fatec, para a prefeitura e outras entidades”, comentou Gilberto Peres Mariano, diretor de Relações Institucionais da Apeti. “Agora, podemos comemorar”. Mariano, que também esteve à frente da presidência da entidade desde sua fundação até 2007, sempre defendeu a formação de um ecossistema de inovação tecnológica. “Vejo esse ecossistema tomando forma e, com isso, poderemos alavancar ainda mais o nome de Rio Preto no cenário tecnológico nacional”.
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