Evolução e história do computador: uma linha do tempo completa
14 de fevereiro de 2023
Do ENIAC ao computador pessoal: descubra como a tecnologia de computação evoluiu ao longo dos anos. Explore as principais invenções que definiram a história do computador.
A história do computador começou ainda nos anos 40, quando realizar cálculos de forma mais rápida e efetiva se tornou uma necessidade. Desde então, essa trajetória é marcada por avanços constantes e cada vez mais surpreendentes, moldando o mundo extremamente digital no qual vivemos hoje.
Para se ter ideia disso, atualmente os computadores estão tão integrados no nosso dia a dia que a maioria das pessoas nem imagina como seria realizar algumas tarefas sem eles. Por isso, preparamos este texto sobre a evolução dessa máquina tão incrível!
Ao traçarmos essa linha do tempo, destacamos conquistas que foram desde simples operações aritméticas até o surgimento da inteligência artificial. Muito além de uma viagem pelo tempo, essa é a prova da incessante busca dos seres humanos pelo conhecimento e pela inovação. Continue a leitura e fique por dentro!
A história do computador
A linha do tempo dos computadores começou devido a uma grave crise no processamento de números, graças a um “boom” de crescimento populacional nos Estados Unidos, em 1880.
O problema foi o seguinte: o censo dos EUA demorou mais de sete anos para conseguir registrar os resultados desse crescimento e essa dificuldade levou o governo a começar as buscas por novas maneiras de realizar esse tipo de trabalho.
Contudo, podemos considerar que de acordo com a história do computador, a mais antiga ideia sobre essa máquina remota da invenção do ábaco (2500 a.C), primeira calculadora do mundo. Depois, Pascal construiu a primeira calculadora mecânica (1642) — conhecida como Pascalina —, capaz de fazer cálculos de soma e subtração.
Após a contribuição do alemão Gottfried Wilhelm Leibniz, Pascalina passa a contar com operações de multiplicação e divisão.
A partir de então, as evoluções da linha do tempo dos computadores foram acontecendo de forma constante e em ritmo mais acelerado.
Uma breve linha do tempo da história do computador
• 1801
O mecânico e inventor francês Joseph Marie Jacquard desenvolve um equipamento semelhante a um tear, que utiliza cartões de madeira perfurados para tecer desenhos em tecidos. Isso é importante porque dentro da história do computador, as primeiras máquinas também utilizavam cartões perfurados, semelhante à técnica aplicada por Jacquard.
• 1822
O matemático inglês Charles Babbage inventou uma máquina movida a vapor inovadora, que teoricamente seria capaz de calcular tabelas de números. Apesar de ter tido apoio do governo para construí-la, a calculadora só foi construída e testada em 1991, pelo Science Museum de Londres.
• 1890
Herman Hollerith projetou um sistema de cartões perfurados (precursores das memórias dos computadores), utilizados para calcular o censo de 1880, que citamos anteriormente.
Se antes o prazo de cálculo era de sete anos, com a máquina de Hollerith, foi possível cumprir a tarefa em apenas três anos, o que poupou US$ 5 milhões do governo.
Depois disso, Herman se tornou um dos fundadores da IBM (International Business Machines Corporation), empresa de TI que deu início ao processamento de dados.
• 1938
Neste ano, Alan Turing apresenta a noção de uma máquina universal (Máquina de Turing), capaz de registrar qualquer coisa que seja computável.
História do computador: primeira geração de computadores
• 1942
Surge, em 1942, a primeira geração de computadores, que utilizavam válvulas para fazer cálculos. No entanto, apesar de serem instrumentos que ajudam a sociedade, eles davam muita manutenção.
• 1945
John Mauchly e J. Presper Eckert, dois professores da Universidade da Pensilvânia, construíram o avô dos computadores digitais, o ENIAC (Integrador Numérico Eletrônico e a Calculadora).
Com uma estrutura gigantesca, o equipamento tinha aproximadamente 18 mil tubos de vácuo, pesava 30 toneladas e preenchia uma sala inteira com seus 180 metros quadrados.
Ainda nesse ano, um inseto ficou preso dentro dos componentes de um computador, originando o primeiro bug da história. Inclusive, o nome veio desse acontecimento, já que “bug” é uma palavra em inglês que significa “inseto”.
• 1946
Graças ao sucesso de ENIAC, Mauchly e Presper receberam um financiamento do Census Bureau para construir o primeiro computador para aplicações comerciais e governamentais, intitulado UNIVAC.
História do computador: segunda geração de computadores
• 1947
William Shockley, John Bardeen e Walter Brattain do Bell Laboratories inventam o transistor, feito que marca o início da segunda geração de computadores. Na época, o transistor conseguia fazer 10 mil vezes mais processamentos que a válvula. Também foi nesse período que o computador foi se tornando menor.
Foi a partir disso que um computador deixou de ocupar várias salas para ter apenas o tamanho de uma secretaria.
• 1953
Nesse ano, Grace Hopper, analista de sistemas da Marinha dos Estados Unidos, desenvolveu a primeira linguagem de computador (conhecida como COBOL).
Além disso, Thomas Johnson Watson Jr., filho do CEO da IBM, criou o IBM 701 EDPM para ajudar as Nações Unidas durante a guerra.
História do computador: terceira geração de computadores
• 1958
Jack Kilby e Robert Noyce criaram o primeiro chip (circuito integrado) de computador, possibilitando a diminuição do tamanho dos equipamentos eletrônicos e marcando, dentro da história do computador, o começo da terceira geração destas máquinas.
• 1964
Douglas Engelbart, informático estadunidense, mostra um protótipo do computador moderno, que contava com um mouse e uma interface gráfica do usuário (GUI).
• 1969
Criação da primeira rede de computadores, a ARPAnet (sigla para “Advanced Research Projects Agency Network” ou, em português, Rede da Agência de Pesquisas em Projetos Avançados).
Essa rede de informações do Departamento de Defesa norte-americano interligava empresas e universidades e, posteriormente, deu origem à internet.
• 1970
A Intel (recém-formada) lança o primeiro chip de memória dinâmica de acesso (DRAM), o Intel 1103.
• 1971
Alan Shugart e engenheiros da IBM inventam o “disquete”, primeira forma de compartilhamento de dados entre computadores.
• 1973
Robert Metcalfe e David Boggs criam a Ethernet, tecnologia que permitia a conexão entre vários computadores e outro hardware.
História do computador: quarta geração de computadores
• 1974 - 1977
A Intel projeta o microprocessador 8080 (que origina os microcomputadores). Além disso, vários computadores pessoais chegam ao mercado, como: Scelbi, Mark-8 Altair, IBM 5100, TRS-80 da Radio Shack e o Commodore PET. Inicia-se, então, a quarta geração dentro da história do computador.
• 1975
Surge o Altair 8080, primeiro kit de minicomputadores do mundo. Então, Paul Allen e Bill Gates escrevem softwares para o Altair, usando a nova linguagem BASIC. Depois desse sucesso, Paul e Bill formam sua própria empresa de software, a Microsoft.
• 1976
Steve Jobs e Steves e Woznick lançam o primeiro microcomputador comercial, o Apple I.
• 1977
Jobs e Wozniak incorporam a Apple e logo apresentam o Apple II, que contava com gráficos coloridos e possuía uma unidade de cassete de áudio para armazenamento.
• 1981
A IBM apresenta seu microcomputador — Acorn — com o sistema operacional elaborado pela Microsoft (MS-DOS), chip Intel, monitor colorido opcional e dois disquetes.
A Sears & Roebuck e a Computerland passam a vender o Acorn, marcando a primeira vez na história do computador que um computador é comercializado por meio de distribuidores externos. Também é com o Acorn que o termo “PC” se populariza.
• 1983
O Gavilan SC, desenvolvido por Manuel (Manny) Fernandez, é o primeiro computador portátil a ser comercializado como um “laptop”.
• 1984
A Apple lançou o Macintosh, primeiro computador que todas as pessoas o pudessem utilizar e que contava com ícones e mouse.
• 1985
A Microsoft lança o Windows para o PC — que só vai ser bem-sucedido em sua versão 3.0 (1990) — e a Commodore revela o Amiga 1000, que possui recursos avançados de áudio e vídeo.
Também é nesse ano que o primeiro nome de domínio pontocom é registrado, anos antes da World Wide Web marcar o início da história da internet.
• 1986
Compaq lança o Deskpro 386, com arquitetura de 32 bits, capaz de oferecer uma velocidade comparável aos mainframes.
História do computador: quinta geração de computadores
• 1990
Tim Berners-Lee, pesquisador do CERN, desenvolve a HTML (HyperText Markup Language), originando a World Wide Web. Inicia-se, então, a quinta geração dentro da história do computador.
• 1992
A Intel lança o microprocessador Pentium, que avança no uso de gráficos e música em computadores.
• 1994
Os computadores se tornam máquinas de jogos como “Command & Conquer”, “Little Big Adventure”, “Alone in the Dark 2”, “Theme Park” e muitos outros.
• 1996
Sergey Brin e Larry Page lançam o mecanismo de busca do Google.
• 1997
A Microsoft investe US$ 150 milhões na Apple, que estava com dificuldades na época.
• 1998
A Intel lança o Pentium II.
• 1999
O termo Wi-Fi se populariza e os usuários passam a se conectar à internet sem fio. Além disso, a Intel lança o Pentium III.
• 2001
A Apple lança o Mac OS X, sistema operacional que conta com uma arquitetura de memória protegida e multitarefas preventivas. No mesmo ano, a Microsoft lança o Windows XP.
• 2003
O Athlon 64 da AMD, primeiro processador de 64 bits, passa a ser comercializado.
• 2004
É lançado o navegador de Web Firefox 1.0, da Mozilla, desafiando o Internet Explorer, da Microsoft. Também foi nesse ano que foi lançado o Orkut e o Facebook.
• 2005
Ano em que o YouTube é lançado e o Google compra o Android (sistema operacional para celular).
• 2006
A Apple lança o seu primeiro computador móvel com núcleo dual baseado na Intel — o MacBook Pro — e um iMac com processador Intel. Além disso, a Nintendo lança o console de videogame Wii.
• 2007
O iPhone é lançado e começa a disponibilizar muitas funções do computador para o smartphone.
• 2009
A Microsoft lança o Windows 7, sistema que já conta com a capacidade de fixar aplicativos na barra de tarefas e avança em diversos recursos, como no reconhecimento de toque e manuscrito.
• 2010
A Apple lança o iPad, transformando completamente a forma como todos enxergavam a mídia e iniciando o segmento de computadores tablets inativos.
• 2011
O Google lança um laptop que executa o Google Chrome OS, o Chromebook.
• 2012
O Facebook chega ao marco de 1 bilhão de usuários.
• 2015
A Microsoft lança o Windows 10 e a Apple lança o primeiro Apple Watch.
• 2016
Ano em que o primeiro computador quântico reprogramável — capaz de programar novos algoritmos em seus sistemas — foi criado.
• 2017
A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA) começa a desenvolver um programa de “Informática Molecular”, também conhecido como Bioinformática, que usa moléculas como computadores.
• 2019
Em um marco histórico para a computação quântica, a IBM anunciou, durante a CES 2019, o lançamento do primeiro computador quântico comercial.
Esse avanço significativo representou a concretização de anos de pesquisa e sinalizou uma nova era na computação, na qual as capacidades quânticas prometem resolver problemas complexos de forma exponencialmente mais rápida do que os computadores clássicos.
Essa iniciativa da IBM, além de reforçar a crescente maturidade da computação quântica, abre portas para a aplicação prática dessas poderosas máquinas em setores como criptografia, simulações químicas e otimização de processos.
A era dos supercomputadores
No cenário tecnológico atual, a busca por maior poder de processamento atingiu níveis extraordinários com o surgimento dos supercomputadores. Essas máquinas ultrapassam as capacidades dos computadores convencionais, impulsionando pesquisas científicas, simulações complexas e avanços em inteligência artificial.
Vamos explorar os principais supercomputadores do mundo e, em particular, destacar a notável contribuição do Brasil nessa linha do tempo dos computadores.
Os gigantes mundiais da computação
Fugaku (Japão)
O supercomputador Fugaku, de tecnologia japonesa, é um gigante no mundo da computação. Desenvolvido pelo Instituto RIKEN e pela Fujitsu, ele assume a posição de líder mundial em desempenho.
Equipado com processadores ARM A64FX, o Fugaku é um exemplo de arquitetura avançada, capaz de realizar incríveis 442 petaflops, ou seja, 442 quatrilhões de operações por segundo.
Dessa forma, o Fugaku está comprometido com uma variedade de pesquisas, incluindo simulações de desastres naturais, modelagem climática e descobertas na área da saúde.
Summit (Estados Unidos)
O Summit, localizado no Laboratório Nacional de Oak Ridge, nos Estados Unidos, é um marco de eficiência e desempenho. Desenvolvido pela IBM, utiliza uma arquitetura híbrida, combinando processadores IBM POWER9 e aceleradores NVIDIA Volta.
Além disso, sua capacidade de processamento atinge cerca de 200 petaflops, tornando-o uma ferramenta vital para pesquisas em física, biologia, medicina e outras áreas científicas avançadas.
O Summit destaca-se também por sua eficiência energética, demonstrando que a busca por desempenho pode ocorrer em harmonia com a sustentabilidade.
Sierra (Estados Unidos)
O supercomputador Sierra, situado no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, é um exemplo de poder computacional direcionado para aplicações específicas.
Projetado para impulsionar a segurança nacional, o Sierra é crucial para simulações avançadas em física nuclear e estudos sobre o comportamento de materiais em condições extremas.
Equipado com processadores IBM POWER9 e GPUs NVIDIA, esse supercomputador é uma peça central na manutenção do arsenal nuclear dos Estados Unidos, contribuindo significativamente para a segurança e defesa do país.
Cada um desses supercomputadores representa não apenas um avanço técnico da linha do tempo dos computadores, mas também um compromisso com a excelência em pesquisas que moldam o futuro da ciência e da tecnologia.
O supercomputador brasileiro
O supercomputador Santos Dumont, uma conquista do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), destaca-se como um ponto de excelência na cena de supercomputação global. Localizado em Petrópolis, Rio de Janeiro, o Santos Dumont é uma peça crucial no avanço da pesquisa científica e tecnológica no Brasil.
Equipado com processadores Intel Xeon e GPUs NVIDIA, o Santos Dumont possui uma capacidade de processamento impressionante. Seu sistema de arrefecimento inovador permite que ele alcance um desempenho excepcional, tornando-o capaz de realizar cálculos complexos e simulações avançadas em uma variedade de áreas, desde modelagem climática até pesquisas em energia renovável.
Além disso, ele é parte integrante da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), contribuindo para o desenvolvimento de projetos que abrangem diversas disciplinas.
Ele se destaca por ser uma ferramenta essencial para pesquisadores, cientistas e engenheiros brasileiros, fornecendo a potência computacional necessária para abordar desafios complexos e promover inovações em diversas frentes.
Esse supercomputador é um símbolo da capacidade do Brasil de estar na vanguarda da pesquisa científica e da inovação tecnológica. Por isso, sua contribuição é vital para a comunidade científica e para o progresso econômico e social do país, consolidando o Santos Dumont como um ativo valioso para o avanço da nação no cenário global da supercomputação.
Além da velocidade: impacto nas pesquisas e inovações
Esses supercomputadores não são meramente medidos pela velocidade, mas pela capacidade de moldar avanços em diversas disciplinas. Assim, desde a simulação de fenômenos naturais até a descoberta de novos materiais e medicamentos, essas máquinas representam o auge da computação, impulsionando a humanidade rumo a novas fronteiras científicas e tecnológicas.
Ou seja, a era dos supercomputadores é um testemunho da incessante busca pela excelência no universo da computação.
A história sem fim
Como você pôde ver, a ideia dos computadores surgiu há muito tempo, como uma forma de otimizar cálculos e acelerar o cadastro de dados.
Ao conferir a história do computador, percebemos como é incrível o fato de que hoje carregamos em nossas mãos computadores tão pequenos — afinal, os smartphones não deixam de ser minicomputadores — que seriam inimagináveis aos pioneiros dessas máquinas.
Novas tecnologias, como a computação quântica, estão no horizonte, prometendo revolucionar mais uma vez a forma como pensamos sobre computadores e processamento de dados.
Por isso, convidamos você a continuar essa jornada conosco e conferir o artigo sobre redes de computadores. Nele, desvendamos mais um capítulo fascinante na evolução tecnológica, destacando como as redes de computadores têm sido essenciais para a interconexão global e o compartilhamento de informações.
#história do computador

Todo mundo já entendeu que a IA vai mudar a forma como a gente compra, certo? Em pouco tempo, você vai escolher tênis, passagem aérea e até plano de saúde batendo papo com um chatbot, pagar ali mesmo e receber tudo sem sair da conversa. Comprar dentro de um ChatGPT da vida vai ser tão comum quanto abrir o app do banco.

A revitalização do CEDET marca um passo importante na consolidação da Apeti como agente de transformação social e tecnológica em São José do Rio Preto. O projeto não apenas renova um espaço físico, mas reacende a esperança de muitos jovens e reafirma o papel da tecnologia como ponte entre conhecimento, oportunidades e cidadania.

A Casa do Empreendedor foi inaugurada em Olímpia na tarde desta terça-feira (30), em cerimônia realizada na Câmara Municipal e seguida de visita às novas instalações na Avenida Aurora Forti Neves. O espaço integra o programa “Olímpia + Empreendedora” e reúne, em um só endereço, serviços de orientação, crédito, capacitação e inovação para micro e pequenos negócios.

A Apeti, entidade que reúne empresas e profissionais de tecnologia e inovação de Rio Preto, completa hoje 22 anos de atuação. Criada em 2003, nasceu para organizar e dar voz ao setor de TI, mas ao longo do tempo ampliou sua atuação e se consolidou como hub multissetorial, responsável por conectar empresas, fomentar parcerias e gerar impacto econômico e social na cidade.

Por que algumas empresas desaparecem enquanto outras conseguem se reinventar e permanecer relevantes por décadas? Quantas histórias já ouvimos de organizações que perderam espaço, precisaram ser vendidas para sobreviver ou simplesmente não conseguiram sair de crises? Essa é uma pergunta que todo empresário e executivo deveria se fazer diariamente: o que precisamos fazer para garantir que nossa empresa continue relevante?

Vivemos em uma era que nos pressiona a buscar o novo a todo instante. A inovação virou mantra, e a velocidade, critério quase absoluto de sucesso. Mas entre apelos por reinvenção constante e promessas de soluções mágicas para problemas complexos, sigo acreditando em um princípio simples: tudo que tem valor resiste ao tempo.

Tem tanta coisa maluca acontecendo no mundo que as pegadinhas de 1º de abril ficaram realistas demais. O Dia da Mentira virou descanso. Um dia em que, enfim, a gente sabe que está sendo enganado (e ri disso). Mas às vezes, é o contrário que acontece: algumas ideias parecem mentira, e ainda assim, mudam tudo.

Neste programa, publicado em 01 de março, recebo Gerson Pedrinho e João Paulo, presidente e vice-presidente da APETI (Associação dos Profissionais e Empresas de Tecnlogia da Informação) para falarmos sobre a instituição, sua história, projetos e planos futuros. Créditos: https://www.samilo.com.br/entrevista-com-gerson-e-joao-paulo-cbn-grandes-lagos

Aviso: texto com objetivo de antecipar à comunidade tech mudanças de grande impacto no setor. Marco Civil em discussão... de novo? Sim, o Marco Civil de Internet (MCI) está em debate novamente. Durante sua aprovação, a lei sofreu muitas críticas, mas, o MCI proporcionou um regime de responsabilidade civil para os provedores de aplicações de internet, que esses só deveriam remover conteúdos de terceiros a partir de uma ordem judicial, ou seja, caso a empresa não possua uma política de remoção de conteúdos, em tese, não precisaria remover conteúdos de terceiros que gerem danos a seus usuários. No entanto, após uma década desde a implementação da norma mencionada, o aumento do uso das redes sociais e a complexidade das interações online têm exigido debates mais aprofundados sobre o assunto. Estão debatendo a se o Art. 19 do MCI é constitucional ou inconstitucional. Por que um caso chega no STF (Leading Cases)? O STF se envolve quando um caso levanta questões constitucionais significativas que exigem uma interpretação definitiva. Como a mais alta autoridade judicial, o Supremo deve garante que leis e disposições legais estejam alinhadas com os princípios da CF/88. Quando alguns artigos legais — como o Artigo 19 do Marco Civil da Internet — são desafiadas quanto à sua constitucionalidade, o STF estabelece precedentes que orientarão todo o sistema jurídico. Nota Casos paradigmáticos (Leading Cases) são decisões judiciais fundamentais, que servem como pontos de referência para casos futuros semelhantes. Quando um tribunal superior como o STF delibera sobre uma questão legal específica, sua decisão vai além de resolver o conflito imediato. Na verdade, cria um roteiro estratégico que orienta como tribunais inferiores devem interpretar e aplicar a lei em situações parecidas. Imagine um caso paradigmático como uma história fundacional na interpretação legal. Assim como uma história impactante pode estabelecer normas culturais, um leading case estabelece entendimentos jurídicos. RE 1037396 (relator: MIN. DIAS TOFFOLI) Neste caso, o Facebook contestou uma decisão judicial que o obrigava a pagar danos morais por conteúdo ofensivo publicado por terceiros — sem uma ordem judicial prévia de remoção. RE 1057258 (relator: MIN. LUIZ FUX) Este caso é sobre um recurso levado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para decidir se empresas que hospedam sites na internet (como o Google, dono do Orkut) são obrigadas a monitorar e remover conteúdos ofensivos publicados por usuários, sem precisar de uma ordem da Justiça. O que falaram até agora? Artigo 19 - Íntegra Art. 19. Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura, o provedor de aplicações de internet somente poderá ser responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se, após ordem judicial específica, não tomar as providências para, no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço e dentro do prazo assinalado, tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente, ressalvadas as disposições legais em contrário. § 1º A ordem judicial de que trata o caput deverá conter, sob pena de nulidade, identificação clara e específica do conteúdo apontado como infringente, que permita a localização inequívoca do material § 2º A aplicação do disposto neste artigo para infrações a direitos de autor ou a direitos conexos depende de previsão legal específica, que deverá respeitar a liberdade de expressão e demais garantias previstas no art. 5o da Constituição Federal. § 3º As causas que versem sobre ressarcimento por danos decorrentes de conteúdos disponibilizados na internet relacionados à honra, à reputação ou a direitos de personalidade, bem como sobre a indisponibilização desses conteúdos por provedores de aplicações de internet, poderão ser apresentadas perante os juizados especiais. § 4º O juiz, inclusive no procedimento previsto no § 3o , poderá antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, existindo prova inequívoca do fato e considerado o interesse da coletividade na disponibilização do conteúdo na internet, desde que presentes os requisitos de verossimilhança da alegação do autor e de fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação. 👍 Quem entende que o Art. 19 é constitucional : Facebook. Argumentos principais: Defende o equilíbrio previsto no Marco Civil Alerta que exigências extrajudiciais podem: Sobrecarregar plataformas Aumentar risco de censura indevida Prejudicar a liberdade de expressão ABERT. Argumentos principais: Destaca que liberdade de expressão deve ser ampla, mas não ilimitada O artigo 19 garante um processo equilibrado que impede abusos Contra censura prévia, mas a favor de intervenção judicial corretiva Wikipedia Foundation. Argumentos principais: Alterações na responsabilidade das plataformas poderiam inviabilizar projetos educacionais Defende o modelo atual que protege iniciativas sem fins lucrativos Alega que o Wikipedia não é igual à outras plataformas TikTok (ByteDance). Argumentos principais: O artigo 19 evita censura prévia Preserva a liberdade de expressão Qualquer modificação pode impactar negativamente criadores independentes Mercado Livre. Argumentos principais: Destaca diferenças operacionais entre plataformas Responsabilidade irrestrita prejudicaria negócios legítimos Ressalta importância de ferramentas preventivas 👎 Quem entende que o Art. 19 é inconstitucional : Brasilcon. Argumentos principais: O artigo promove uma "hierarquia indevida dos direitos fundamentais" A obrigatoriedade de decisão judicial para remoção de conteúdos ofensivos causa: Processos longos e custosos Demora na proteção de vítimas Defende a revisão do artigo para proteger os mais vulneráveis, especialmente diante do aumento da violência digital Sleeping Giants Brasil. Argumentos principais: O artigo precisa de ajustes para permitir remoção eficiente de conteúdos danosos Destaca a desinformação como ameaça à democracia Enfatiza a necessidade de responsabilidade ética das plataformas digitais Advogado Geral da União (AGU). Argumentos principais: Sustentou que o artigo 19 é insuficiente para lidar com situações emergenciais, como o dia 8 de janeiro, quando a AGU precisou acionar judicialmente as plataformas para remoção de conteúdos incentivando atos antidemocráticos. Defendeu que a obrigatoriedade de decisão judicial prejudica a agilidade no combate a conteúdos prejudiciais e cria riscos à segurança pública e à democracia. CONIB. Argumentos principais: Destacaram que a regulamentação digital eficaz é essencial para equilibrar liberdade de expressão e responsabilidade. Fizeram referência ao impacto global da desinformação, citando exemplos concretos de como regulações rígidas em Israel ajudaram a mitigar abusos digitais. Reforçaram que o Artigo 19 do Marco Civil, ao exigir decisões judiciais para remoção de conteúdos, torna as ações lentas e, muitas vezes, ineficazes para prevenir danos irreversíveis em crises. Defendeu que normas mais flexíveis e pró-ativas podem evitar problemas sistêmicos, como manipulação de informações. O que os ministros falaram e perguntaram? Ministro Luís Roberto Barroso. "As plataformas têm responsabilidade sobre o impacto social de seus algoritmos. A liberdade de expressão não é ilimitada, especialmente quando utilizada para disseminação de desinformação ou discursos de ódio. A interpretação do artigo 19 deve considerar a proteção das instituições democráticas.” Ministro Alexandre de Moraes. “No dia 8 de janeiro, houve uma completa falência da autorregulação das grandes plataformas digitais. O uso descontrolado das redes para organizar atos antidemocráticos mostrou que a autorregulação, apoiada no artigo 19, é insuficiente. A instrumentalização e, em alguns casos, a conivência das redes, geraram riscos à democracia.” Ministro Dias Toffoli “Excelentíssimo senhor presidente, excelentíssimos senhores ministros, no julgamento de hoje, tratamos da constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet. É fundamental destacar a importância de garantir um equilíbrio entre liberdade de expressão e a responsabilização adequada de provedores.” Ministro Luiz Fux “Senhor presidente, senhores ministros, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem reiterado a relevância da proteção de direitos fundamentais, especialmente no contexto digital. O artigo 19 reflete uma tentativa de endereçar questões complexas em uma era de comunicação instantânea.” Ministro Edson Fachin “É essencial reforçar a necessidade de regulamentação eficiente da internet. A Constituição Federal é clara sobre os direitos fundamentais e deve ser a base para todas as decisões relacionadas à liberdade de expressão e responsabilidade no ambiente digital.” Por que importa a nós, de tech? Essas discussões legais impactam diretamente, em diversos níveis. Aqui vão alguns aspectos: Liberdade de expressão Inovação tecnológica Segurança jurídica no ambiente digital, e aqui leia-se também inteligência artificial. Para empresas e profissionais de tecnologia, compreender essas responsabilidades legais é essencial para: Desenvolver estratégias de moderação de conteúdo Garantir conformidade regulatória Minimizar riscos jurídicos Adaptar modelos de negócios As decisões do STF podem redesenhar completamente como as plataformas digitais operam, influenciando diretamente o desenvolvimento de novas tecnologias e a forma como direitos dos usuários são protegidos na internet. Adotar tecnologias não é uma opção. Manter-se atualizado sobre essas mudanças também não, mas sim uma necessidade estratégica para qualquer empresa ou profissional do setor tecnológico. Considerações Finais A discussão revela um debate complexo sobre os limites da responsabilidade digital, onde cada ator busca proteger seus interesses específicos, mas compartilha a preocupação fundamental de criar um ambiente online que faça mais sentido aos atores. A decisão do STF terá impactos significativos não apenas para grandes plataformas, mas para todo o ecossistema digital brasileiro, afetando desde redes sociais até plataformas educacionais e de comércio eletrônico. Dicas práticas Para startups : desenvolver políticas claras de uso, implementar mecanismos de moderação de conteúdo e buscar assessoria jurídica especializada desde o início. Empresas de tecnologia validadas : reforçar a governança corporativa, aprimorar ferramentas de moderação, ser transparentes em suas ações e engajar-se com reguladores e a sociedade para liderar pelo exemplo. Empresas de hardware/infra: projetar produtos de forma responsável, assegurando conformidade legal e oferecendo suporte ao cliente para o uso seguro de suas soluções. As pessoas geralmente preferem evitar e conter problemas em vez de resolvê-los - Richard Susskind, O Futuro das Profissões. Está precisando de uma assessoria jurídica personalizada? Descubra os benefícios exclusivos que preparamos para você e agende sua consulta com o advogado parceiro da Apeti!

No próximo dia 25 de novembro, data em que se comemora o Dia Nacional do Doador de Sangue, a Associação dos Profissionais e Empresas de Tecnologia da Informação de Rio Preto (Apeti), em parceria com a Shift e diversas empresas de tecnologia da cidade, realizará uma ação solidária de doação de sangue e cadastro de medula óssea no Hemocentro Rio Preto.









































